A Vitória do Dia de Todos os Santos

Transformando o nosso inimigo em um espetáculo público

Por Grant E. Van Brimmer

No calendário litúrgico da igreja, 31 de outubro é a véspera de Todos os Santos, ou como é comumente chamado hoje em dia, Dia de Todos os Santos. A Véspera de Todos os Santos é a origem da palavra Halloween. Ela é originalmente um feriado cristão.

Neste dia, os cristãos de outrora se fantasiavam e zombavam do demoníaco. Colossenses 2:15 diz que Cristo: “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente ao ridículo e deles triunfou na cruz”.

A cruz de Cristo expôs publicamente os principados e potestades, e a Igreja fez o mesmo.

Nos últimos tempos, muitos dentro da Igreja têm cedido a superstições e mentiras pagãs, acreditando que as forças das trevas ainda reinam ou exercem algum tipo de controle sobre o mundo.

Isso acontece porque muitos cristãos adotaram uma versão do cristianismo superficial, inofensiva, açucarada e complacente, e, portanto, violência, sangue e morte: tudo isso deve vir do submundo, sabe, do lugar onde o diabo reina. Assim, os cristãos devem correr, se esconder, apagar as luzes, trancar as portas e evitar essas coisas a todo custo! Meu Deus!

Isso significa ver o mundo através das lentes de mitos e superstições tolas, ao invés das lentes do Christus Victor¹.

Essa visão nega a vitória do nosso Rei. E nega o poder transformador da cruz, que desfez o velho mundo e inaugurou o novo… aquilo de que o povo de Deus se separava, agora triunfamos e conquistamos.

Neste novo mundo em Cristo, a cabeça da serpente é esmagada, e o corpo da serpente apenas se contorce, agarrando-se à vida.

Um novo mundo onde:

“Há uma fonte cheia de sangue que brota das veias de Emanuel; e os pecadores, mergulhados nessa torrente, perdem todas as suas manchas de culpa”.

Meio macabro, não?!

A regeneração deste novo mundo parece algo que alguns poderiam chamar de macabro… o profeta Ezequiel… teve uma visão de esqueletos, e lentamente ligamentos, músculos, veias e pele se conectam e envolvem os esqueletos, e Deus dá vida aos esqueletos.

Meio macabro, não?!

A Bíblia não se esquiva do sangue ou da morte. Isaías 53 chama a atenção para os aspectos horríveis da crucificação e a contextualiza teologicamente para nós…

“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”

Isaías 53:5

Foi por causa do sangue e da morte de Cristo que o Pai o ressuscitou dos mortos, e em sua ressurreição, Cristo fez da sepultura motivo de chacota cósmica.

Todo o orgulho e a força da morte foram enfraquecidos, pois a morte foi engolida pela vitória.

Não nos incomodamos com essas coisas; proclamamos a vitória de Cristo sobre elas e zombamos da serpente que ainda se contorce depois que Cristo lhe esmagou a cabeça.

Seria pecaminoso encontrar alegria no demoníaco, na morte ou no derramamento de sangue, como se eles ainda detivessem poder no mundo… como se Jesus não os tivesse desarmado.

Grande parte da nossa cultura não se dedica a zombar do demoníaco, mas sim a imitá-lo — algo que evitamos.

Mas o maior ato de zombaria que praticamos como cristãos contém um elemento que alguns chamariam de macabro; até mesmo a igreja primitiva foi acusada de canibalismo por fazer a mesma coisa!

É nesse momento, naturalmente, que nos aproximamos da Mesa do Senhor e, por meio do ministério do Espírito, comemos a carne de Cristo e bebemos o Seu sangue.

Meio macabro, não?!

Ao fazermos isso, estamos proclamando a Sua morte até que Ele volte. Estamos proclamando a destruição total do mal, da morte e da miséria.

Quando exaltamos o corpo partido de Cristo e o seu sangue derramado, isso não tem nada de macabro.

Esta é a vitória, esta é a salvação, esta é a esperança, esta é a vida eterna.

Vestir-se de forma extravagante e zombar do demoníaco nesta época do ano é um ótimo lembrete de quem realmente está no comando, quem realmente ocupa o trono.

Vinde à mesa e recebei o Filho, para que, em vós, Deus continue a fazer dos principados e potestades um espetáculo público.

Então venha e seja bem-vindo a Jesus Cristo!

Grant E. Van Brimmer é Pastor na CREC, professor, mestre em Teologia (ThM) pela Erskine Theological Seminary (turma de 2025), veterano do Exército e podcaster.
Texto Original: The Victory of All Hallows Eve

¹ Christus Victor (latim para “Cristo, o Vitorioso”) é um conceito teológico da expiação que entende a morte e a ressurreição de Jesus Cristo como uma vitória sobre os poderes do mal — incluindo o pecado, a morte e o diabo — libertando a humanidade de sua escravidão.

Michael Vieira

Michael Vieira

Rolar para cima